terça-feira, 22 de julho de 2008

Matéria - Recrutamento


Pessoal, navegando encontrei uma matéria bem atual sobre recrutamento, fala sobre as leis que facilitaram e "empurraram" os brasileiros à bordo ;)


"Forçadas por lei, agências caçam jovens para trabalhar em cruzeiros

É um exército”. Trabalhar em navios de cruzeiros está longe de ser somente a chance de conhecer o mundo e ainda receber por isso. Jonathan Louback, de 26 anos, deixa isso claro aos jovens durante as entrevistas. A disposição para trabalhar duro e disciplina são tão importantes quanto o conhecimento da língua inglesa, diz ele. Cerca de 40% dos escolhidos desistem. Louback, que por seis anos trabalhou como “bar boy” e oficial (recepcionista), hoje, recruta os novos tripulantes que deverão atuar nos navios como garçons, camareiras, recepcionistas, funções no restaurante, na cozinha, limpeza e recreação.

A jornada de trabalho é de 12 horas por dia. A viagem deve acontecer em dois meses. Louback "conheceu" pelo menos 80 países. "O navio pára e a gente dá um passeio rápido. Se pudesse voltar a um desses países iria aos estados da Grécia", diz ele impressionado com as ilhas gregas.


Os salários variam de US$ 600 até US$ 1,5 mil dólares. As gorjetas fazem parte do dia-a-dia do trabalho de acordo com a função e podem fazer dobrar o salário. Em Mato Grosso do Sul o perfil dos interessados são universitários e recém-formados que não encontram chance de emprego. “Já entrevistei advogados, muitos fisioterapeutas também”, diz Louback. Quem pensa em conhecer o mundo e se divertir fica fora da seleção. Desde o mês de maio, a empresa Infinity Brazil recruta jovens de Campo Grande.

Legislação

Em 2007, quando o governo federal publicou resolução exigindo todos os navios que permanecerem por 90 dias na costa brasileira tenham 25% da tripulação brasileira, começou o corre-corre por trabalhadores que em terra firme não conseguem receber os valores previstos nos contratos temporários. Agora, a exigência é ainda mais rigorosa. Navios que permaneçam 30 dias na costa brasileira têm que dar emprego a 25% dos tripulantes. O eixo Rio-São Paulo está saturado, diz.

A legislação esvaziou os resorts. Encontrar mão-de-obra capacitada para atuar na área de turismo é muito raro. Mas, esse não é um problema só do Brasil. Em fotografias guardadas no laptop de Louback imagens de jovens da Ucrânia, Mandagascar, África. No Brasil, a cada parada, os navios são fiscalizados por Polícia Federal, Receita e Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

O Ministério do Trabalho também acompanha e monitora os contratos. “São nove meses de contrato, sendo dois 2 meses de férias. Quando sai de um contrato na maioria das empresas você já sabe quando volta e para qual navio retorna”, explica Louback.

Sonho

Nesta manhã, no Sesc (Serviço Social do Comércio) Horto Florestal, na região da Vila Sargento Amaral, a acadêmica de Turismo, mãe de uma menininha de 4 anos, e funcionária pública, Mariana Rojas Palermo, de 24 anos, encarou a entrevista. Considera apta para fazer o treinamento e embarcar em dois meses, Mariana Palermo deverá levar a notícia para a mãe, arquiteta. O pai, advogado, já lhe apoiou. “Sempre sonhei em entrar no serviço militar. Para mim, será a grande oportunidade. Não vou desistir”, diz. A jovem fala as línguas inglesa e espanhola.

Requisitos

A princípio será para trabalhar em três companhias marítimas (Royal Caribbean (dois navios) – MSC (4 navios) – Costa (3 navios)) que vão viajar por toda a América do Sul. O nível de fluência na língua inglesa não precisa ser tão rigoroso. Durante todo o dia, o Sesc estará aberto para os interessados. Em todo o Brasil são oferecidas 600 vagas. No Estado, dos 40 entrevistados, 10% foram considerados aptos. Os escolhidos terão que pagar R$ 100 pela capacitação e pelo menos R$ 157 para terem o passaporte e outros R$ 500 de exame médico, caso não tenham convênios. As exigências acabam por tirar da rota os jovens que precisam trabalhar. "A falta de capacitação é o problema", admite Louback.

Governo federal

A Agência Brasil divulgou no ano passado o balanço da primeira temporada dos cruzeiros com rota pelo Brasil - de novembro de 2006 a março de 2007 - após a edição da Resolução Normativa nº 71 que define cotas para trabalhadores brasileiros. Dados da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), apresentado ao Conselho Nacional de Imigração (CNIg), contabilizou 1,5 mil brasileiros à bordo destas embarcações.

Em 2006, o CNIg concedeu 841 vistos para trabalhadores estrangeiros. Na primeira fase dessa resolução, os cruzeiros que permaneceram no Brasil por mais de 91 dias, tiveram que cumprir a cota de 25% da tripulação de empregados brasileiros. A partir da próxima temporada - novembro de 2007 - o tempo de permanência mínima dos cruzeiros foi reduzido para 31 dias de navegação por águas brasileiras.

O levantamento da SIT apontou que os navios com mais escalas, e que conseguiram fechar maior número de viagens, foram os que contrataram mais brasileiros. Exemplo positivo da medida é que, em apenas um navio, 88% dos 360 tripulantes eram brasileiros, todos contratados sob a legislação trabalhista brasileira.

O não cumprimento da resolução pode gerar multa ou concessão de vistos negada para estrangeiros nos navios irregulares. "Os navios passam 25% do ano - três meses - no Brasil. Nada mais justo que 25% da tripulação seja de brasileiros", ressaltou o presidente do CNIg, Paulo Sérgio Almeida, que é também coordenador de imigração do MTE. (Com informações da Agência Brasil)

Postado por: Nadia

4 comentários:

corbelino disse...

Olá pessoal,

tenho acompanhado o blog de vocês nessas ultimas semanas desde que comecei minha pesquisa sobre trabalho em cruzeiros e vos encontrei no orkut!
Até então não havia comentado, mas como essa notícia se relaciona diretamente a mim, então cá estou!
Eu faço parte dessa turma de Campo Grande/MS que está sendo recrutada pela Infinity. Ainda não havia visto esta matéria e já vou envia-la pra todo mundo.hehehe
...
Creio que essa interiorização dos recrutamentos para trabalho em navio se deve ao crescimento desse tipo de turismo no Brasil, mas principalmente pela baixa cotação do dolar, afastando muitos tripulantes de tentar um novo contrato ou fazendo comque as pessoas do sul/sudeste do país não se interesse tanto por essa vida. Entretanto vejo como uma excelente possibilidade a pessoas como eu que não estariam nessa "barca" se esse processo não fosse realizado em minha cidade, pois apesar de já ter pensado em trabalhar em cruzeiros antes, não teria a iniciativa e a disponibilidade financeira para viajar para participar de algo que inicialmente nem é certa minha aprovação.
A interiorização das seleções para esse tipo de trabalho, creio eu,ficarão apartir de agora muito mais frequentes - tenho amigos em Salvador que me informaram que seleções foram também feitas por lá pela primeira vez neste ano.
...
Quero aproveitar para dar os parabéns a todos que se dedicam a este blog que tem me sido muito útil, sempre dando excelentes informações!!!
ahhh!!!Acompanho vocês pelo orkut tambem!!!heheh

Grande abraço, e espero passar em minha entrevista semana que vem, para estar na mesma vida que vocês!!!

Filipe disse...

Á custa desse "empurraozinho" que o governo brasileiro deu, eu me ferrei! Tudo por nao ser brasileiro, e as agencias brasileiras ainda se aproveitaram da situaçao!

Eu desde julho que andava com o entusiasmo de trabalhar num cruzeiro. Pois entao fui á procura e passei horas e horas na internet para buscar informaçoes de brasileiros que tinham embarcado.
Foi entao que comecei a enviar o meu curriculo para as agencias. Muitas me responderam principalmente d spaulo e rio... mas eu queria era do nordeste (onde resido atualmente) foi entao que elas me encorajaram ainda mais e me disseram que eu tinha todas as chances para trabalhar num cruzeiro... pois tenho um ingles nivel superior... algum espanhol e chuto um frances.

mas tive que refeitar as ofertas do sul porque era muito dispendioso para mim. (e felizmente nao fui)

entao foi uma agencia com o nome de portside de recife que disse que podia fazer o stcw, e que apenas era isso que precisava antes de um entrevista. Tudo bem... la gastei eu mais de mil reais em tudo...
Foi entao que conheci um pessoal da agencia shipjobs que me foi altamente recomendada. E pronto acabei o curso fiquei com os contactos e me chamaram para uma entrevista da pullmantur (atraves da shipjobs)
La fui eu todo bonitinho e viajei para recife de novo...
Mal meti o pé dentro da sala onde se fez a entrevista.... a representante da pullmantur que ja estava com o meu curriculo na mao me falou.
-Vamos ter um problema...
(e eu pensei... sera que sou feio... ou entrei com o pé esquerdo) e entao ela falou:
Nao és brasileiro... e apenas conseguimos contratar brasileiros...

Conclusao, eu tive este trabalho todo e gastei dinheiro para nada. Nunca me foi informado que eu nao poderia ser contratado. Até porque guardo os emails até hoje.

Sou estrangeiro e resido no Brasil há 5 anos legalmente, hoje sou obrigado a obter os direitos de igualdade por esta situaçao e mesmo assim nao vou poder ser aceite porque nao tenho acesso ao passaporte.

Quantos brasileiros vivem no estrangeiro e falam da discriminaçao que sofrem...
Bem eu apenas sou uma agulha no palheiro mas pelo menos passo a historia de um estrangeiro no brasil. De discriminação esta nao é a unica....


Na realidade nem li a materia, porque me cansei de buscar informaçao para depois sair dinheiro do bolso, tempo, entusiasmo e tambem uma aventura...

Filipe disse...

Á custa desse "empurraozinho" que o governo brasileiro deu, eu me ferrei! Tudo por nao ser brasileiro, e as agencias brasileiras ainda se aproveitaram da situaçao!

Eu desde julho que andava com o entusiasmo de trabalhar num cruzeiro. Pois entao fui á procura e passei horas e horas na internet para buscar informaçoes de brasileiros que tinham embarcado.
Foi entao que comecei a enviar o meu curriculo para as agencias. Muitas me responderam principalmente d spaulo e rio... mas eu queria era do nordeste (onde resido atualmente) foi entao que elas me encorajaram ainda mais e me disseram que eu tinha todas as chances para trabalhar num cruzeiro... pois tenho um ingles nivel superior... algum espanhol e chuto um frances.

mas tive que refeitar as ofertas do sul porque era muito dispendioso para mim. (e felizmente nao fui)

entao foi uma agencia com o nome de portside de recife que disse que podia fazer o stcw, e que apenas era isso que precisava antes de um entrevista. Tudo bem... la gastei eu mais de mil reais em tudo...
Foi entao que conheci um pessoal da agencia shipjobs que me foi altamente recomendada. E pronto acabei o curso fiquei com os contactos e me chamaram para uma entrevista da pullmantur (atraves da shipjobs)
La fui eu todo bonitinho e viajei para recife de novo...
Mal meti o pé dentro da sala onde se fez a entrevista.... a representante da pullmantur que ja estava com o meu curriculo na mao me falou.
-Vamos ter um problema...
(e eu pensei... sera que sou feio... ou entrei com o pé esquerdo) e entao ela falou:
Nao és brasileiro... e apenas conseguimos contratar brasileiros...

Conclusao, eu tive este trabalho todo e gastei dinheiro para nada. Nunca me foi informado que eu nao poderia ser contratado. Até porque guardo os emails até hoje.

Sou estrangeiro e resido no Brasil há 5 anos legalmente, hoje sou obrigado a obter os direitos de igualdade por esta situaçao e mesmo assim nao vou poder ser aceite porque nao tenho acesso ao passaporte.

Quantos brasileiros vivem no estrangeiro e falam da discriminaçao que sofrem...
Bem eu apenas sou uma agulha no palheiro mas pelo menos passo a historia de um estrangeiro no brasil. De discriminação esta nao é a unica....


Na realidade nem li a materia, porque me cansei de buscar informaçao para depois sair dinheiro do bolso, tempo, entusiasmo e tambem uma aventura...

mauricio disse...
Este comentário foi removido pelo autor.

Depois de ler o blog, você ainda tem alguma duvida? se sim, em qual setor?